terça-feira, 9 de abril de 2013

Extrapolei a linha dos meus sonhos

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Coração apaixonado não cai em tentação
Cogito me afogar nesse mar que é você
Não quero aprender a nadar em seu coração
Pois sei que lá, seguro posso viver.

Afirmo em bom tom que não quero fugir
Perco-me nas palavras quando tento definir
Ai, meu amor, quando a felicidade vem...
Só sabe que é bom (e existe) quem tem.

Você bagunça tudo que orbita em meu peito
Minha mente escreve versos mal criados
Nem sei mais o que dizer direito
Se tudo o que quero é você ao meu lado.

Meus olhos após a colisão de você com meu mundo
Brilham mais que os postes em volta do meu lar
Desejo na plenitude de um amor profundo
Beijar-te eternamente e nunca mais parar.

Inconscientemente encomendei um romance nos últimos tempos
Apenas hoje, do alto dos meus 20 anos posso afirmar
Que os espinhos dessa rosa chamada amor
Não estão mais aqui para me perfurar.

Há o medo de sentir e não ser retribuído
É claro que no nosso caso isso não ocorreu
A minha realidade é o romance diluído
No seu corpo doce e coração que é apenas meu.

Como é bom dar vazão à posse do sentir
As correntes que impediam minhas mãos de fugir
Hoje são substituídas por seus abraços
Que sei, que sem eles não consigo mais existir.

O passado jamais deu certo
E agora entendo o porque
Tudo estava sendo preparado
Para a formação do eterno ‘eu e você’.

Igor Gonçalves


segunda-feira, 1 de abril de 2013

Já me transformei em pó


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É o som dessa guitarra que me faz chorar
A música velha é cantada cheia de amargura
O cantor escreveu um grande amor para recordar
E se perdeu no fim de sua alma pura.

Não mais cristalina ficou
Conhece-se um homem por suas experiências
E aquele que amar mais e continuar só
Vive presente, mas seu coração é puro pó.

Às vezes não há como reconstituir
Continua batendo para aplicar a lei da vida
Outros tentam de alguma forma substituir
Mas não há como fugir.

Fugitivos são presos em flagrante
Por não mais quererem amar
Que mal há em evitar romance
Pois todos que vem só me fazem chorar?

Ai como é bom ter o que lembrar
Porém não mais tenho o que oferecer
Meu interior é morto e insignificante
E não há nada que possa me socorrer.

Quero me encontrar em braços
Quero me perder em beijos
Quero me envolver em outros laços
Quero muito um romance perfeito.

Mudo de ideia facilmente
Nem sei mais o que eu quero
Às vezes caio em choro inconsequente
E nem me lembro porque me desespero.

Chorar é saber que há um coração
Que se importa por si mesmo
Que há amor próprio, mesmo vivendo só.
Mesmo tendo lágrimas de pó.

Um descuido da vida é necessário
A gente se machuca demais
Quebra-se em mil pedaços
Porém é esse sentimento que faz encontrarmos o prazer na cura.

O romance está em apuros
Sua água é pura
Mas eu nunca soube nadar.

Igor Gonçalves

quinta-feira, 14 de março de 2013

Um abstrato clareado




Deixei o passado lá fora
Ele desbotou
Sei que já passou da hora
Meu choro enfim secou

Os segundos são irrelevantes
Eu já nem sei onde estou
Faltam palavras
Mas está tudo na ponta da língua.

Há uma luz em um novo coração
Uma estrela que risca meu céu
Enuvia meu dia e faz a noite desaparecer
Some e aparece o que não consigo entender.

Sinto saudades
Mas ela bate em minha ferida
Sangrando no alto de uma escada
Corro para baixo querendo de volta minha vida.

No entanto sou engolido
A fúria dos céus é um perigo
Penso imediatamente em desistir
Escrevo lentamente para poder me corrigir.

Ai, eu não sei mais o falar
Sinto que não há maneiras novas de lidar
Eu não quero tentar me escravizar
Prendi-me sozinho e não consigo mais se soltar.

E o que eu sempre prometi
Não consegui
Não tentei
Não quis
Não planejei
Errei.

Exilado estou
No escuro meu olho acostumou
Qualquer ponto de luz é motivo para me chamar atenção.

À propósito, você é meu claro na ausência de luz.


Igor Gonçalves

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Em paz

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Há uma mulher na minha direção
Do qual nunca me esqueço
Penso nela consumindo toda minha razão
Outrora nem sei mais o que pareço.

Perdendo a visão em um ritmo absurdo
Fecho os olhos e a enxergo em meu mundo
A mobília vazia tem apenas a sua presença
Ela, de tão linda, entrou sem pedir licença.

Vem o vento que sopra todas as feridas
Não há mais nenhuma saída
Em meu mundo de caos atordoado
Você é a esperança de um dia ensolarado.

Pareço não saber de muitas coisas
Minha memória se prende aos detalhes
Os seus olhos me tiram um alegre sorriso
Sua presença trás a paz de um leve improviso.

Não sei o que pensar
Não quero ser exigente
Se não for pedir muito
Ao seu lado quero ficar...

Igor Gonçalves

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

O Rei da Selva

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Não posso manter meus sentimentos disfarçados
Como se fossem uma camiseta de número errado
E na troca de areia de uma ampulheta
Troca-se o tempo que eu sempre quis que tivesse existido.

Que tempo é esse?
Onde confuso, danço uma valsa solitária.
Esperando um lugar que não é o que sonhei
A literatura de um romance que jamais escreverei.

Toda minha história
Detalhada em linhas inexatas
Vultos de um passado sempre presente
Presente de um futuro inexistente.

A minha solidão é permanente?
O amor está ao meu lado, não é o que quero.
Nunca mais o rosto dela eu pude ver
Na distância ela insiste em desaparecer.

Perdido na selva de enganos
Sangue negro derramado dos meus olhos
Chorando um amor abandonado em poucos anos
Quanta falta de amor, tolices fatais!

Como dormir e sonhar com o coração doendo?
Sinais me mostram que a distância é meu mundo
E que nada que eu fazer vai mudar
O Rei da selva precisa voltar.

Bilhetes deixados por guerreiros derrotados
Caídos ao chão de um céu de diamantes
Quebram toda minha vaidade com mil machados
Incentivando a insônia e medo de viver coisas nunca vividas antes.

O Rei da Selva está enjaulado
Precisa recuperar o ar que perdeu
O mundo engoliu sua fé
O gelo impediu que ficasse de pé...

Ele caiu.

Igor Gonçalves

As minhas memórias falham como Polaroids

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A ferida que acostumou doer
Na doença dos dias esvazio tudo o que posso acreditar
Frustrada tentativa de me dizer
Que todo mundo não deve deixar de sonhar.

Mal com o mundo
Mau o sentimento é
O mar que me engole é fundo
E a correnteza me puxa forte pelo pé.

Minhas mãos tentam em vão pegar o ar
Busco recordações na biblioteca da memória
Necessito ver o que quero lembrar
No entanto o fogo destrói toda minha história.

Os ruídos que após o sofrimento levam à terra firme
Só não são maiores que o silêncio que você deixou
A ferida que apelido com seu nome não cicatrizou
Respiro por aparelhos, mas não consigo achar o que você levou.

E cadê tudo, diz-me onde deixou!
Preciso de nova essência, mas não vou mudar o que sou.
Jogado ao lixo o sentimento chora aos gritos
Mudo para o mundo, volume máximo que me deixa aflito.

Deixa-me de fora, eu não quero mais entrar
Os pingos da chuva forte não vão me derrubar
Nunca prometi ser forte à ponto de não chorar
Você sempre soube, meu amor, que eu não sei lidar.

E é por isso que bebo todo dia a tranquilidade
Conforto-me em histórias sem final feliz
Busco a vida em uma caixa azul-saudade
Devaneio e chego a ser o que você sempre quis.

Só que estou de fora encarando o mundo
Fundo, imundo e descontrolado
Reflito no ar seu desenho todo errado
Encaro e guardo o romance em sono profundo.

Igor Gonçalves 

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Rebobinar o Filme da Vida


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Viajo pelo tempo
Com passagem de ida e volta
Sem bagagens esqueço
Que a felicidade passada está morta.

Percebo então o que ouvi
Não gostei
Não sorri
Chorei.

O amor está distante
Falecido e enterrado
Vivo a caminhar no céu que escureceu
Luto sentido por alguém que não morreu.

Saudades do que não mais existe
Será que estou louco?
Será que estou triste?

Rebobino o filme do romance
Sei cada capítulo dessa história
A cicatriz na alma arde a cada instante
O pause é longo e as lagrimas obrigatórias.

A direção é dela
O roteiro é meu
No final restam dois feridos, sobrevivi.
Ela me esqueceu.

Igor Gonçalves