terça-feira, 11 de fevereiro de 2025

Meu aniversário


 

Meu aniversário de 32 anos foi em 2025, mas, de alguma forma, ele me levou de volta a 2002.


Eu tinha 9 anos e ainda era uma criança intocada pelas asperezas da vida. As nuvens no céu pareciam feitas de algodão, e a proteção do mundo cabia inteiramente aos meus pais e à minha tia. Nada podia me atingir.


Naquele ano, meus pais conseguiram organizar uma festa de aniversário em um buffet que, curiosamente, ainda hoje é cliente do nosso escritório contábil. O tema? Dragon Ball. Para mim, aquilo foi o auge da felicidade. Essa obra sempre teve um significado enorme na minha vida, tanto que me tornei colecionador de action figures por causa dela. Hoje, minha coleção já conta com centenas de peças.


O mais impressionante é que essa festa foi filmada na íntegra e gravada em um CD — um CD cuja existência eu desconhecia. No último sábado, 08/01, ao revirar fotos da infância para mostrar à minha namorada, acabamos encontrando essa relíquia esquecida pelo tempo.


Ao assisti-lo, vi o Igor do passado, aquele que não conhecia dores, que dormia tranquilamente e que sorria todos os dias sem as preocupações da vida adulta.


E então, no final da gravação, vieram os depoimentos dos meus pais.


Meu pai partiu em 2017, e sinto sua ausência todos os dias. Tornei-me contador para ser como ele, e durante muito tempo, tudo o que fiz foi buscando sua aprovação e admiração. Eu queria que ele tivesse orgulho de mim. Assistir aquele vídeo inédito foi um presente de aniversário que atravessou o tempo.


Uma cápsula do passado que permaneceu perdida por 23 anos, até encontrar o Igor do futuro — um homem que já não é mais aquela criança, mas que agora aguarda ansiosamente a chegada da sua primeira filha, a pequena e amada Emily.


No primeiro momento, chorei. As lágrimas vieram tão naturalmente quanto a respiração. Mas, logo depois, fui tomado por uma felicidade imensa ao ver, mais uma vez, o quanto meu pai me amava e tudo o que ele fazia por mim. Assim como minha mãe, que, graças a Deus, ainda está ao meu lado, acompanhando cada um dos meus passos.


Meu pai foi um homem extraordinário, admirado e amado por muitos. Ele sempre amou profundamente seus filhos, e esse amor, que transborda naquele vídeo, é o mesmo que minha pequena Emily receberá.


Ele é meu maior exemplo. Vive em mim, nas minhas memórias e no coração de todos que o amam.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

Contra a maré

À noite, o silêncio pesa mais do que o cansaço, 
e eu me vejo perdido entre os dias iguais.
Os olhos queimam, a mente implora um descanso,
mas o sono, traiçoeiro, nunca vem.

O mundo gira pesado sobre os meus ombros,

e eu rezo por um alívio que nunca chega.

As pessoas passam, envoltas em seus próprios fardos,

e eu aprendi a não esperar ajuda.


A maré me empurra para trás, sem piedade,

mas meus braços ainda têm força para remar.

Mesmo que o horizonte pareça distante,

eu sei que sou o único que pode me levar até lá.


Então respiro fundo, seguro o leme,

e decido que não vou afundar.

O esforço é meu, a vitória também será.

E enquanto o mundo dorme, eu sigo…

remando.


Igor Gonçalves 

domingo, 2 de fevereiro de 2025

O barulho continua


Minha mente quando fecho os olhos insinua

A chegada de um terremoto e tudo treme.

Não adormeço e o barulho continua,

A noite me engole, mas nunca me vence.


O travesseiro é um palco de sombras

Onde o sono se finge de abrigo.

Mas logo me empurra pra fendas profundas,

Me afoga em pesadelos que gritam comigo.


O tempo se dobra em um laço apertado,

Os minutos rastejam sem rumo.

Me viro na cama, prendo o fôlego,

Mas o silêncio me cospe de volta ao escuro.


Adormeço, por fim, sem força, sem luta,

Mas o sono é um algoz traiçoeiro.

Me acorda rasgado, sem ar e sem fuga,

Com o peito batendo um medo inteiro.


A cada cochilo, o inferno retorna,

Em cenários que nunca escolhi.

Acordo ofegante, perdido no quarto,

Sem saber se dormi ou morri.


Meus olhos ardem, queimando em cinzas,

Meu corpo suplica por trégua.

Mas tudo que ganho são horas vazias

E um ciclo que nunca encerra.


O relógio debocha em seus ponteiros lentos,

Desenhando meu cansaço no tempo.

Cada piscada é um salto no abismo,

Cada sonho, um novo tormento.


Me encolho nas cobertas como se fossem muralhas,

Mas nada detém a tormenta.

O escuro transborda, me puxa pra dentro,

E o medo rasteja, frio como serra.


E quando o sol enfim toca minha pele,

Sinto a luz como ferro em brasa.

O mundo desperta, mas eu, despedaço,

Carregando a noite no rosto e na alma.


Já nem sei se é pior não dormir ou sonhar,

Se o dia é refúgio ou sentença.

Mas sei que ao anoitecer, sem escolha,

Voltarei a ser presa do próprio tormento.


Igor Gonçalves