Eu não penso mais naqueles dias,
mas às vezes, sem querer,
eles me atravessam.
Num cheiro, numa música, numa mensagem que não veio.
Disseram que eu era distante.
Talvez fosse.
Mas era o único jeito que eu tinha de não desabar.
De continuar andando mesmo sem direção.
Liguei, ninguém atendeu.
De novo.
E eu sei que ninguém deve nada,
mas no silêncio dos toques não atendidos
parecia que o mundo me lembrava:
você tá só.
Fiz o meu melhor.
Com as ferramentas tortas que eu tinha.
Com os traumas escondidos atrás de um sorriso discreto.
Com os medos que ninguém nunca viu porque eu escondia bem.
Fiz o meu melhor.
Mas às vezes… parece que o meu melhor
era pouco demais pra qualquer um ficar.
E aí me pego nesse presente desbotado,
tentando dar sentido ao passado
e torcendo pra não me perder no processo.
Se um dia alguém me perguntar:
“Você se arrepende?”
Talvez eu diga:
“Não. Mas eu ainda sinto falta… do que eu queria que tivesse sido.”
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Viver é muito mais do que encontrar conceitos, belas frases. E nesse pequeno discurso cheio de erros de concordância e rimas toscas, tento dizer que o essencial não é visível aos seus olhos