quarta-feira, 14 de julho de 2021

Sobre ir, voltar e desistir

 Meu lado sombrio pode te iluminar?

Meu coração frio consegue te aquecer?

As sombras que carrego vão te acompanhar 

Ou vão te escurecer?


O tempo que perdemos me deixou culpado

Você o sol em vida acabou nublando 

Sinto que te prejudico ficando ao seu lado

Mas não te esqueço nem mesmo sonhando. 


Será que a força do amor é a mais forte?

Não vejo saídas ao meu desespero sombrio 

Cada dia que passa sinto aproximar a morte 

E minha angústia deixa tudo mais frio. 


Não querer arriscar por medo de você se perder 

No meu espaço sem fim onde tudo se queimou 

É ser maldoso deixar você entrar e viver 

Em um ambiente que nada restou. 


O quarto decorado se deteriorou 

As memórias parecem histórias de mentira  

Hoje acorrentado e preso estou 

Vivendo raivoso, sofrido e cheio de ira.


Questiono-me porque tem que ser assim 

A consciência de que posso existe 

Mas a língua que me expresso é pior que latim 

E por fim, deixo-a triste. 


Preciso me libertar e tirar esse peso das costas

O mundo que carrego me aprofunda 

Me deixa corcunda e não passo de apostas 

Mal sucedidas em te dar uma vida conjunta.


O meu relógio despertou 

E não precisei acordar 

Mais uma noite em claro estou 

Nem lágrimas tenho para chorar. 


Igor Gonçalves

domingo, 16 de fevereiro de 2020

Movido a vapor



Tormento bucólico 
Lamento clichê do amor 
Achar que é dulcícola
Cai ferido em mais um dissabor.

A peça mais nova do ator 
Resume a teimosia de sua paixão 
Já são 11h15 e ainda é escuridão.

Fazer mais é viver menos 
Acelerar mais e não olhar o retrovisor 
Deixar parado e fugir 
É ar o frio seco dessa cor. 

A vida prega um prego que não vai mais sair
Escuto de longe, não posso dormir 
O doce e sereno frio da rua 
É tão distante como morar na Lua.

Estou sem pressa e não posso mais sair daqui 
Em todos os esgotos tive que ir 
Mas os desgostos que engoli 
Digeriram aquilo que senti.

Tampouco me apresso 
A sombra me enegrece 
Quero romper o processo 
Essa é minha prece.

Igor Gonçalves (02/2020)

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Arrefecido



Mãos que carregam o limbo 
Reerguem o que quis arrefecer 
Esse mundo de lodo ora caos, ora lindo 
É a presa fácil do que quer me adoecer. 

O peito estourado é um babel 
Dispersa vários ruídos dissonantes 
Vem ventania que corta como cinzel 
Todos esses agridoces instantes. 

Por fora aparentar a maior fortaleza 
Por dentro se aguentar como anjo sem asas
Que de tanto voar sem rumo perdeu leveza
E caiu perdido nesse monte de estradas.

Em minha tentativa de viver o romance 
Falhei ao colocá-lo como ator principal
Do filme da vida cheio de nuance 
Que se confunde com meu ideal.

Uma ferramenta que pode me levar onde for
Mas que não é indispensável 
Sem antes conhecer meu amor 
Aquele próprio que fiz anulável.

Ecoa em meu peito uma vontade insaciavel 
De reverberar por mim uma força motriz 
Capaz de me tirar do abismo que criei 
Inundar meus versos em algo que não sei.

Mas tento conceituar 
Os olhos de outrora não vieram me resgatar 
Os meus abertos não conseguem reconhecer 
Que mundo é esse sem você?

Criei algo tão forte 
Tão prematuro 
Eu relaxei
Sem estar seguro.

A chuva logo vem 
Que medo é esse?
Perdi a fé em tudo 
Não há interesse. 

E logo no escuro 
Estou distraído 
Sou logo consumido 
Sou destruído.

Palavras já não podem me derrotar
Quem é que vai ocupar 
O seu lugar? 

Já faz tempo em que conheci 
E não aprendi 
Aquilo faz insistir 
Mas por pouco tempo nos faz sorrir.

A felicidade é curta 
Nossa voz é muda 
Alguém me escuta

Meu coração parou.

Igor Gonçalves 


segunda-feira, 8 de julho de 2019

Meu pesar


O que escrevi ficou no papel 
Me entrenti em um mundo cruel 
Disseram que meu erro foi se entregar 
Para alguém que não tinha nada para dar. 

Cancelei meu romance antes do lançamento 
Vi que não era o momento 
Abracei meus sonhos idealizados 
Mantive-os presos em mim como escravos. 

Essa idéia de que o não é opção
Me corrói da alma ao coração 
Queria conseguir revidar
Mas sou apenas um na multidão.

Luto pelo que não existe 
Dois não é um só 
Madrugada cai firme no que é triste 
E transforma boas ações em pó.

Compaixão é algo não esperado
Meu escudo está no chão 
Já não tenho munição 
Entendi que tudo é em vão.

Querem derrubar 
Me vencer 
Sou o erro astuto por não saber 
Atribuo a mim meu não ensolarar.

Jamais quis que fossem assim
Sei que não sou perfeito 
Fiz de tudo para evitar o fim 
Mesmo com feridas abertas no peito.

Meu filme não vai reprisar
Tampouco terminar 
A água quente não consegue me queimar 
Eu sou meu pesar.

Eu sou me pesar.

Igor Gonçalves 

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Ofuscado

O amor que te dei 
Deveria voltar através de você 
Mas se perdeu onde não sei 
E hoje não te enxergo de uma vez. 

Separações diárias vão me consumindo 
A tragédia anunciada do que fiz 
Nunca valeu de nada 
E, passageiro, fiquei no ponto.

Não embarquei naquilo que perpetuei 
Esculpi a perfeição na sua imagem 
Entrei no palco onde sempre lutei 
Carregado de marcas e coragem.

Mas, sua encomenda atrasou 
Assim fez meu peito desmoronar 
Do alto dos meus 26 
Eu ainda não aprendi a lidar.

Te mostrei meu lar 
A mobília bagunçada eu tentei esconder 
Precisava do que você pode dar 
Um pouco, ao menos, para não perecer.

Hoje enlouquecido e querendo gritar 
A noite insiste em perfurar 
Você não sente nada 
Ou apenas existiu para me machucar?

Decepções regem a sinfonia da minha alma 
Perco tempo pensando em como me resolver 
Um pouco de calma para me reerguer 
Tolo, acreditei mais uma vez.

A angústia percorre minhas veias 
E manda ao meu coração o que não existe 
Bombas de sangue não são suficientes 
Se minha raiz, morta, destrói tudo.

Sigo indiferente e calado 
Queria ouvir um pouco de você 
Me sentir amado 
E não perguntar o porquê.

A santa certeza de que tudo passa
Rege a liquidez da minha razão 
Eu sou uma escuridão 
Não sou visto por uma multidão 
Só peço para você não ir 
Mas é tarde demais. 

Igor Gonçalves 

domingo, 30 de junho de 2019

Pirâmides Desconexas



Será que é possível ser feliz 
Mesmo sem tem com quem contar? 
O que de errado eu fiz? 
A química não consegue me ajudar. 

O peso que carrego não para de aumentar 
Um Rei coroado que não quer governar 
As custas de um fardo que não pode suportar
Excepcional e dispensável é como devo soar.

O auge é algo palpável? 
Estradas destruídas ousam me desconstruir 
Inexiste formas de ser amável 
Quando se está no chão sem ter porque sorrir.

Tenho procurado por outras formas de lidar
Sei que onde vou não há nada para aproveitar 
Penso em fugir de todos e sumir 
Assim não há preocupações com o sentir.

Os ventos que trazem a mudança 
Estão distantes e daqui não vão ressoar 
Tenho vagas lembranças 
Mas não sei o que é amar.

Talvez por isso conto com pessoas 
E químicas que destroem meu pensar 
Fazem eu me tornar um som que não ressoa
Um ensurdecedor abismo do qual pulei 
Não me resgatei 
Falhei.

Igor Gonçalves 

terça-feira, 18 de junho de 2019

Cercado



Estou tão enjoado de preencher lacunas 
Adentrar espaços que me são passados 
Corrigir incontáveis erros causados 
Ser o preparador de fortunas.

Vamos lá, você é inteligente. 
Você não precisa se deprimir 
Converse, tenha coragem para ir 
Siga forte, vá sempre em frente.

É o que eles dizem
Motoristas bêbados nas esquinas 
Traçando minhas rotas mais esquisitas 
Não preciso ser o que querem.

Não era para ser dessa forma
Ainda ouço sua voz na minha cabeça 
Minhas mãos trêmulas criam retas tortas
E vou longe sem que o sentido obedeça.

Não quero falar 
Eu não acredito em ninguém 
Querem acabar comigo! 
Mas o que eu fiz? Apenas não desisti?

Congelado pela razão 
Rodo sem conserto 
Sou o acidente sem emoção 
O resgate que não chegou.

Suspiros carentes me fazem agir diferente 
Eu tento fingir e me acalmar em outro lar
Impreciso fico inerente 
A minha falta de coerência me faz errar.

No fundo erro todas minhas jogadas 
Movimentos não condizem com o pensar 
Impulsos sempre surgem para derrubar 
Um deles me levou ao chão 
E de lá nunca mais saí...

Por mais que asas pudessem me fazer voar 
Eu nunca soube como proceder 
A ler esses capítulos em outras línguas 
Essas histórias mal contadas 
Não desenhadas para mim 
Ou talvez sejam, enfim! 

As entradas estão fechadas 
Vou ficar por aqui
Me sentar um pouco, e refletir.

Igor Gonçalves