Tem momentos em que a gente fala, fala, fala… e percebe que ninguém está ouvindo de verdade.
Não porque a conversa não exista.
Ela existe.
Mas porque já começou com um veredito pronto.
Qualquer frase vira prova.
Qualquer pausa vira culpa.
Qualquer reação vira munição futura.
O mais cansativo não é discordar.
É não conseguir terminar um raciocínio.
É sentir que tudo o que você diz será recortado, deslocado e devolvido contra você.
Aí você começa a economizar palavras.
Não por maturidade, mas por sobrevivência.
Porque explicar demais machuca.
E se explicar pouco também.
Os “adultos estão falando”, dizem.
Mas ninguém escuta.
Todo mundo responde.
Todo mundo se defende.
Todo mundo quer ganhar.
E você só queria ser entendido.
Não é raiva.
É desgaste.
Não é vontade de ir embora.
É vontade de não precisar se esconder dentro de si.
Quando falar vira risco, o silêncio parece refúgio.
Mas silêncio prolongado vira prisão.
Talvez crescer seja perceber isso:
que maturidade não é falar mais alto,
é criar espaço para o outro existir sem ser punido por isso.
E quando esse espaço não existe,
não é fraqueza se sentir cansado.
É apenas o corpo avisando
que diálogo sem escuta não sustenta ninguém.
Igor Gonçalves