quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Assim como Eleanor Rigby

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Nunca creditei beleza a paisagens naturais e preferi por muitas vezes me calar para o mundo em que vivia. Hoje me encontro num divisor de estradas, saio do carro guiado pelos comandantes e passo a guiar meus próprios passos, a pé.

Andarei por ruas que nem mesmo tive a imaginação de fantasiar e o caminho é imensuravelmente restrito a minha alma.  O que procuro é simplesmente não parar de procurar, pois com a face sisuda escrevo as linhas e parágrafos da minha história que é narrada por um jovem viajante que fala sozinho, esperando ser ouvido por alguém que lhe compreenda e o queira infindavelmente num mundo compartilhado.

Correr é inútil, pois estaria parafraseando todos os fracassos que um dia cometi. Não quero viver com frases de efeito, que retratam uma vida que nunca foi vivida. É assim que tem que ser, ao menos para mim, eu devo escrever todas as letras dessa minha história que talvez não tenha final feliz permanente, pois é impossível eu cravar um destino e esperar que ele aconteça de forma radiadora como se fosse um ‘spoiler’ de uma vida real...

Minha poesia nunca foi feita para ser levada a sério, pois começou de acontecimentos sinuosos e de tanto escrever, acabei me perdendo em algum dos meus versos exagerados e assim fantasiando para outras pessoas sentimentos que não eram lá reais e poderosos... Minha palavra é poderosa e minha ação é simplesmente inerte a realidade.
  
Perco muito tempo pensando e deixo meu destino ser tocado pelo acaso, mas para uma pessoa como eu, que gosta de ter tudo ao controle, isso é tamanha besteira... Afinal, acasos não ocorrem frequentemente e viver a esperá-los e atrasar momentos que poderiam fazer-me maior e deixar essa imensidão de gelo que bombeia meu coração fazendo me pronunciar, pensar e cometer atos de grande vazio.

Olho ao espelho e me deparo com dificuldades. Em cada parte do meu rosto há uma questão a ser respondida e quando começo a tentar responde-las acabo por pensar que todos os meus sonhos são intangíveis demais para serem alcançados pelo cara que reflete esse espelho... A verdade é que me sinto fraco e vejo algumas coisas que acabam por me enfraquecer como um aparelho sem carga que aos poucos vai perdendo funções e parando de funcionar.

Acreditei em coisas distantes e hoje todos esses sentimentos que foram levados a sério estão distanciando cada vez mais de mim, mas não consigo entristecer-me com esses fatos. Seria eu um homem que não chora mais? Estou tomado por um sentimento de despreocupação que me faz não querer acreditar e falar com pessoas... Estou farto delas e posso citar que em sua grande maioria, todas não passam de seres que acham que podem controlar tudo e se acham donos da verdade, quando quem olha de fora apenas percebe o quão desprotegidas elas são. Como um louco numa guerra atirando com sua mão, achando que possuí o mais forte armamento... É assim que eu vejo as pessoas.

Isso me deixa num mar de dúvidas, pois ninguém precisa de mim e eu não preciso de ninguém e isso me faz pensar o que eu faço aqui... É doloroso admitir, mas me sinto sozinho.

Igor Gonçalves


terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Jogos Mentais

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Vão te fazer sentir-se pequeno
Quando você for esperto irão te derrubar
Quando for idiota irão te menosprezar
E os jogos que lhe sucedem só irão lhe fazer parar...
Parar é objetivo, por que o movimento é proibido.
Todos vão querer te imobilizar
Prender-te a correntes como um animal
Impedirão você de ser um herói
E tudo o que você precisa não é fugir, nem chorar
Você tem é que lutar
A vida está aí                      
Para erguer ou lhe enterrar.





Igor Gonçalves

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

O som do silêncio

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Eu sei que a escuridão
Percorre suavemente todos meus pensamentos
E que conversa comigo sem me ouvir
Diz verdades que não quero admitir.

Recebo todas as palavras que ela pode me ensinar
Recebo todos os braços que ela insiste em estender
Mas quando o som do silêncio começa a incomodar
Eu consigo relutar o que não posso perceber.

De repente todos meus medos
Caíram como gotas pesadas de chuva
Ecoaram no poço mental que eles criaram
E todos se curvaram perante ao lado da dor que admiravam.

Quando todas as palavras se formam
Uma faísca acende uma lamparina
Iluminando a escuridão que parecia infinita
Percorrendo travessias longas e vazias.

O ar se formou enchendo meu peito
Não mais do que tudo isso.
O necessário para sobreviver,
Embora não seja o suficiente para viver.

Igor Gonçalves

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Joe DiMaggio

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Olhe ao seu redor senhor DiMaggio
És um homem afortunado
Não adianta chorar
O que vem sempre um dia será buscado.

Mas não fique assim senhor DiMaggio
O céu guardou um lugar para o seu amor
E não vale a pena preservar esses olhos solitários
Fruto de quem amou eternamente sem o mínimo pudor.

As luzes de casa estão acesas
A tevê está passando algumas notícias
E a rosa que ela deixou já murchou
E eu sei que sua lágrima cai porque acabou.

senhor DiMaggio toda vez que estiver em apuros
Ela estará lá para o senhor
E ela o ama mais do que você imagina
Portanto, não chore.
Sua história é a mais bela já escrita.

Ah, senhor DiMaggio.
Tente sorrir
Estão todos de olho no senhor
Não vá nos decepcionar!

Entendemos sua dor
Tantos anos com aquele conforto
E de repetente tudo ficou diferente
Embora, ela ainda o ame mais do que nunca...

É apenas um segredinho entre nós senhor DiMaggio
Ela me contou que o ama mais do que tudo...
É apenas isso é um motivo para sorrir, ela não partiu...
Apenas foi morar em seu coração eternamente.

E eu sei que uma nação inteira é incapaz de entender
O amor que vocês cultivaram por décadas
Não pode simplesmente se esconder
Através de mortes que a vida prega.

Não chore mais senhor DiMaggio
Eu sei que você pode fazer o melhor
E todos precisam de você...

Não fique assim senhor DiMaggio.

Igor Gonçalves

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Ideias massacradas





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Entristeço-me. Penso nas mais variadas hipóteses e o que encontro é apenas o mistério, a complicação.
Punhados de palavras não são capazes de fazer nada e as minhas acabam sendo encobertas por uma chuva de frieza, uma chuva que vem de um lugar distante, mas que chega a mim com uma tremenda intensidade. Não posso segurar, entristeço-me outra vez.

Sentimentos massacrados são os mais difíceis de lidar, pois eles estão ali... Deitados ao chão frio, humilhados por terem falhado no que mais apreciavam em sentir. Ideias enterradas com um simples silêncio alheio me fazem sair em busca de pensamentos novos, que por muitas vezes não conseguem compreender-me e acabo a mercê de ideias dos quais não me identifico.

Eu não consigo sentir a luz do sol e talvez seja por isso que meu coração esteja tão frio. Os raios não conseguem perfurar essa barreira que foi criada e programada com equações matemáticas tão complexas, que simplesmente e metaforicamente falando... Eu perdi a chave do meu coração.

O meu céu está turvo e estou preso nessa água cinzenta, estou me afogando e não consigo sair.
E assim passo a assistir minha vida através de olhos desconhecidos, nenhuma mudança concreta... Não sei o que o real, não sei de nada.

Igor Gonçalves

domingo, 21 de novembro de 2010

Sir Paul McCartney | Up and Coming Tour | 21/11 | Estádio do Morumbi

E o grande dia chegou, verei meu ídolo o mais perto possível. É emocionante isso, não vou falar mais nada. Apenas deixar minha enorme admiração por esse homem, que tudo o que fez em sua vida foi muito bem feito. Meu ídolo!


Detalhes? Após o show !






                                                                        


Foi fantástico.
Melhor show da minha vida.
Ele será sempre meu ídolo
muitos dizem que preferem John
Sim, John é fantástico também.
Mas sua música não consegue me deixar feliz como a do Paul deixa
apesar de eu amar os dois.

Eu não tenho palavras para descrever
Foi épico.


Venus and Mars" / "Rockshow"/ Jet - Não estava acreditando 
All My Loving - Caí na real, meu ídolo e os Beatles
Letting Go - WINGS !
Drive My Car - Bip Bip YEAHH !
Highway - FIREMAN
Let Me Roll It - A guitarra colorida do Paul, 1973 foi ' O ANO '
Long and Winding Road - Nessa o povo do meu lado desabou de chorar, muito boa!
1985 - Amo essa !
Let Me In - Nossa, muito Wings essa! Ouvia direto enquanto caminhava pro colégio!
My Love - Música que eu daria para alguma garota, My love supera!!
I've Just Seen a Face - Mano, eu amo essa! eu lá cantando e meu irmão zuando atrás hahaaha
And I Love Her - Mesma descrição de My love! a plateia inteira cantando!
Blackbird - Paul e seu violão, tocando na maior paz essa parte!
Here Today - Saudades, John Lennon
Dance Tonight - Ri demais com a dancinha do Abe
Mrs. Vanderblit - Ho! HEY Ho! Ho! Hey! Ho!
Eleanor Rigby - Lonely people
Something - Homenagem emocionante ao George
Sing the Changes - FIREMAN! 
Band on the Run - Paul mostra porque Wings é foda! 
Obladi Oblada - Life goes on!
Back in the USSR - O avião chegando foi muito emocionante!
I´ve got a felling - I can´t hide! Paul solando no final e eu só olhando, perfeito!
Paperback Writer - Amo essa !
A Day in the Life/ Give a Peace Chance - Milhares de balões brancos voando!
Let it Be - Sem palavras né?
Live and Let Die - Explosões fantásticas e susto do Paul no final, impagável
Hey Jude - Na na na na !!! Hey Jude
Day Tripper - Yeahh !
Lady Madonna - MUIIIIIIIIIITO BOAA!
Get Back - Me lembrei do show no telhado!
Yesterday - Emocionante ver o Paul e seu violão, tão de perto.
Helter Skelter - Gritei junto com o Paul hahaha
Sgt. Pepper Lonely Hearts Club Band (reprise)/ The End - Não deveria ter acabado nunca!

Alguns reclamaram que o preço era alto. Tudo bem, é alto.. mas, não tem dinheiro no mundo que pague a felicidade que eu senti de ver ele.
Obrigado Paul!
Jamais me esquecerei desse dia, com certeza foi meu melhor.

As fotos que eu tirei:







Não tem o que dizer, apenas meu agradecimento por esse cara! É o melhor e nunca haverá pra mim um artista que consiga me alegrar como ele faz.

Paul McCartney, meu ídolo !

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Austeridade Imprópria

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Na epígrafe da história
Sempre fui muito presente
Uns adoram meu jogo
Outros acham que sou insistente.

Roubei a bondade de muitos homens
Ajudei os humilhados
Criei a semente da dor
E plantei-a nos homens isolados.

Eu estava por perto quando todos morreram na neve
Incentivei o comandante a abrir fogo
Todos sofreram enquanto eu me gargalhava
E o pobre comandante, não sabia se ria ou se chorava.

Selei o destino de muita gente
Calei todos aqueles a favor da paz
Instruí a usar violência contra opositores
Criei ideologias e sistemas inovadores.

Estava ao lado do atirador
Quando vi seus olhos brilharem
Jacqueline gritou horrorizada
E de nada adiantou, era a morte premeditada.

Causei revoltas no mundo inteiro
Derrubei de navios a torres
Destruí países por completo
Viciei-me em semear horrores.

Orientei à repressão absoluta
E quando aquele estudante entrou em meu caminho
Levei-o para longe, num local onde estivéssemos sozinhos...
Pobre coitado, nunca mais apareceu.

Sequei regiões e empobreci solos
Muitos caíram no véu por inocência
Sou um personagem de negócios
e meu salário é o sofrimento que eu vejo.

Em todas as ruas, amantes fazem protestos.
Músicos renomados colocam sua voz para ecoar num lugar que eu insisto
Mas alguns acabam simplesmente sumindo
E transformando-se em mitos.


Todos os políticos são criminosos
E os homens de boa fé não passam de tolos
Meus comprimentos a todos os que estão amarrados
Por acreditarem que perderei a eterna luta contra o Bem.

Muitas vezes andei por esplanadas
Procurando rir de todas as bobagens ouvidas
Homens de terno que introduzem alegorias metafóricas
Propondo que o futuro depende de suas vidas.

Quem? Quem? Quem?

Ao lado de Jesus Cristo
Quando ele esteve perdido em sua dor mais moribunda
Pude notar que compunha um momento inescrito
Que foi inventado por almas de ganância profunda.

Então deixe me explicar
Não sou nem um homem, nem uma mulher.
E meu nome tem diferentes significados no mundo todo,
Embora meu objetivo seja em todos os lugares o mesmo.

Lavei minhas mãos
Abençoei aos simpatizantes
Ceguei meus comandados
Iniciei confrontos nunca vistos antes.

Quem? Quem? Quem?

Diga meu nome bem alto
Para todos ao que lhe cercam lhe ouvir
Diga meu nome mais alto!
Vamos! Certifique-se de que me conhece
De que está pronta para ingressar
Ao mundo das cortesias
E de métodos inimagináveis.

A divina comédia me retratou perfeitamente,
Oh! Dante! Meu amigo, parceiro...
Todos ficaram incrédulos com tanta atitude
Meramente apoiado por mim, ao alto de sua juventude.

O príncipe das Trevas?
Lúcifer?
Diabo?
Mal?
Hades?

Tantos nomes, tanta esperança.
Alguns acreditam num mundo melhor
Outros querem que eu vença
A resposta chegará em breve, tudo dependerá das atitudes dos homens...

Para finalizar, termino com a frase de Dante:
A alma de um poeta passa pelo Céu e pelo Inferno.


Igor Gonçalves


quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Sempre achar, nunca ter certeza


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Cansado de tudo
Perto do desagradável
Cem anos em dezessete
Indisposição para sorrir.

O Sol não brilhou
Meu coração bateu devagar
Enxerguei-me morto e sem rumo
Saí da febre, encontrei um novo mundo.

Sentimentos reprimidos
Transformam-se em lágrimas
Explosões de memórias
Florescem minha mente machucada.

Estou dizendo em silêncio
Toda essa onda de palavras
Mas sempre acabo no mesmo quarto
Ouvindo minhas mesmas músicas...

Mesmo que possa escapar
Sempre há uma fisgada no fim da noite
Vem lembrar-me de que isso tudo existe
Mas não há jeito correto...
Estou de joelhos, rendido...

E meu coração está sob seu domínio
Você pode esmagá-lo
Ou usá-lo como uma joia...
Faça o que quiser, Destino.

Igor Gonçalves

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Inatingível

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E desaparece como luz piscante
Faz me deixar exausto a ponto de suar
Volta sempre com a mesma intensidade de antes
Mas se vai logo depois como se fosse me amaldiçoar.

É proibido o que se pode fazer
Desde quando foi assim, foi questão de tempo.
Livremente me proibi
Não pude mostrar o sofrimento.

Continuo andando tão descrente
Que pareço não me importar
Mas a imagem refletida diz ‘você mente!’
Quem sou eu para discordar.

Parece que em meu mundo, todos se renderam
E lutar parece coisa inóspita
Mas e se quando lutar
É o que mais quero que seja feito?

Não está feito
Muito menos perfeito
Não completo e não satisfeito.
Não definitivo...
Muito menos compreensível.


 Igor Gonçalves

domingo, 7 de novembro de 2010

Batidas que a vida produz

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coração1

1 Anat Órgão oco e musculoso, centro motor da circulação do sangue. 2 Parte anterior do peito onde se sente pulsar esse órgão.3 Peito. 4 Sede suposta da sensibilidade moral, das paixões e sentimentos. 5Conjunto das faculdades afetivas. 6 Amor ou afeição
É o que há de mais importante, sem ele estaríamos mortos. Alguns são rápidos, outros lentos e uma grande maioria estão parados. Muitas vezes acabamos gritando no silêncio mais ermo que ele possui e sem saber qual resposta achar terminamos por querer que ele pare.

Quentes eles podem ser, embora muitos sejam frios é comum calcular cada acesso de batida que ele dá. Fazemos isso, pois na luta eterna que vivemos, apenas apanhamos. O que nos resta é que com essas feridas causadas, possamos aprender nem que seja o mínimo.

Eu posso dizer que já fui vitima das sensações do qual já estive muito acostumado, mas de que vale dizermos a mesma língua se falamos outra totalmente diferente quando o assunto é sentir? Ele produz uma palavra, e essa palavra corre por minha garganta até parar presa aos dentes. Sem saber muito do que fazer, o silêncio constante é o melhor atributo que o momento pode oferecer, embora quem produza tudo isso acabe enchendo-se com pequenas gotas de raiva que se ajuntadas em demasia podem torná-lo um alguém que despreze quem te faz continuar de pé.

Continuo assim, produzindo palavras impensáveis e tentando sem sucesso me ater a ele. O coração para mim é mais do que um órgão oco e musculoso, não! É mais do que isso. O coração é a fonte das minhas palavras, dos meus sentimentos e de tudo de bom que um dia eu posso vir a produzir. Por mais que ele esteja surrado e completamente cheio de feridas por causa de fatos anteriores, ele jamais se rende na luta eterna que será a vida, pois de alguma forma eu e ele sabemos que alguma hora ele não precisará lutar e apenas se juntará a outro se fundindo e vindo a transformar-se em amor.

Embora seja muito mais fácil cega-lo com um véu, minhas próprias leis impedem-me que eu o trate apenas como um órgão. A vida ensina demais e arrisco ser o melhor professor que podemos ter algum dia. Aprendemos e caímos diversas vezes, mas eu já tenho minha opinião formada.
Então, o que significa coração pra você?



Se parar , faz diferença pra você ?

E se parar, faria alguma diferença para você?




Igor Gonçalves

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Voz e Aroma

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Cânticos pousam em minha memória
De magoados romances sobrepostos
Caem livremente num livro de histórias
Fugindo de parágrafos opostos.

Nas páginas que sou obrigado a ler
Secas imagens voam até cair
Dando um resumo que nunca soube fazer
Abismo do qual não consegui fugir.

Busco nas lianas uma forma de sair
Nas folhagens que rasgam minha face
Nos galhos que me fazem ouvir
O desprendimento da maldade.

Escrevo alguns versos
Rasgo algumas palavras
Ecos invadem meu cérebro
Silabas não conseguem ser formadas...

O freio consegue impedir
As sendas invadem inutilmente
Meus braços fazem cruzes
Imploram por fugas melhores e sutilmente...

Eu caí.

Meus pensamentos são espectros mal vistos
Impróprios como um bando de ventos
E pergunto... Quase sempre nunca atino
Respostas que seriam dadas, sobre meu próprio destino.

Igor Gonçalves

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Outros cabelos, olhos e sentimentos...

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Tenho andado em conflito com as palavras, elas não saem. Sumiram inesperadamente e agora eu clamo por elas e não encontro nada, apenas uma porta onde eu fico batendo e ninguém abre. Minhas palavras talvez façam parte de momentos onde eu não seja o mais feliz da história. Hoje estou feliz, mais do que nunca e eu gostaria de compartilhar minha alegria com as palavras, mas parecem que elas apenas convivem comigo em momentos de dores. Momentos de dores me fazem escrever tudo o que sei, tudo o que quero e tudo o que posso fazer. Hoje as palavras me abandonaram, sei que não é para sempre até porque esse meu momento não é eterno, mas quando as palavras retornarem eu não ficarei totalmente triste, apenas verei que minha velha amiga voltou.

Ultimamente veio pensando em muitas coisas, fazendo mil planos e vivendo. Este último item eu considero o mais importante, porque é por causa dele que eu não consiga escrever tanto. Olho ao meu redor e vejo novidades, boas novidades...

Em pouco tempo eu construí milhares de maravilhosas sensações das quais eu lutei o ano inteiro para ter. Procurei e me engajei, e numa fração de segundos senti tudo aquilo que busquei num local inesperado. Perto de mim, com todos os requisitos que desejo e com todas as qualidades do qual preciso. Realmente, eu consegui tocar na felicidade porque não tive medo de errar e não tive medo de perder. Acomodados que não saem do lugar, vão sempre receber o mesmo tipo barato de cobrança que sua inércia causa.

Busquei sim, não me arrependo nem um pouco e o caminho é complicado até para quem tem mais experiência, mas não é por isso que eu desisti. Não, eu não desisti de você. Talvez nunca haja alguém que faça meus olhos brilharem como você faz. Então, isso não é uma mentira. Eu posso me perder nas palavras e exagerar nos meus versos... Minha vida pode ser um exagero composto de todos os sentimentos que tenho por você, mas... Ah! Esse maldito ‘mas’, ele infelizmente existe. Há obstáculos imensos entre nós. Há distância, há medo, há insegurança e eu não quero ficar preso em alguma coisa. Eu necessito sair, eu preciso respirar... Embora quero que você saiba, que é aí com você que meu sentimento sempre estará. Apenas vença seu medo e após isso podemos tentar.

Hoje eu quero viver, eu escolhi isso. Apenas lamento, não ser você ao meu lado... De qualquer forma estou realmente feliz...

Dentro dos meus limites é lógico.

Igor Gonçalves

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

O dano

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''Eu sei que a arte é difícil.
Eu sabia desde o início.
Ela vai com você onde quer que você vá,
Ela gruda em você onde quer que você vá.

Pegue o que está errado e coloque em uma canção
Carregue com você onde quer que você vá
E cante um blues onde quer que você vá.

Às vezes é difícil acreditar nisso quando você diz 'eu te amo'
Nós tentamos parar ... 
Eu estava indo embora quando eu disse 'eu te amo'

Pegue o que você precisa.
Pegue os seus sonhos e plante uma semente
E leve com você onde quer que você vá.
Quando o amor é novo leva algum tempo para crescer!

Por favor, mantenha seus pensamentos para si mesmo.
Não há mais ninguém que possa me fazer escrever esta canção.
Salve suas palavras para um tempo quando seu coração estiver bem,
Eu posso ouvir seu silêncioso gemido.

Às vezes é difícil acreditar quando você diz 'eu te amo'
Nós tentamos parar .. Eu estava querendo dizer: quando Eu disse 'eu te amo'
Mas eu não sei. Eu não sei.

Os danos que eu fiz
 Eu pensei que eu não faria isso à ninguém.
Oh, o estrago que eu fiz 
Eu pensei que eu não faria isso à ninguém.''

domingo, 24 de outubro de 2010

Nebulosas de cetim, rapé...

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Nas epidermes apresentadas
A imagem torna-se puída
Intensas faces desesperadas
Acabam por saborear minha vida.

Nebulosas predominam minha visão
Diluindo-se em lágrimas
Que nem mesmo existe, é tudo ilusão.
Passou, só preciso me defender.

Tamanho é o medo de ser empurrado
Cair no precipício de um mar violento
Desaparecer na fumaça de um rapé
Sucumbir a uma vida blasé...

O que é verdade tem que ser dito
Sutilezas de uma mulher são para ser apreciadas
Mas hoje eu não sei, o sentimento está guardado...

Mas comigo ele permanece
Ao som de músicas e caprichos
Minha violência contorna-se pelo alto de um céu
Nublado, nuvens cegas por bichos.

Mas eu quero você que veja
Que já não vejo nada de interessante em outros corações,
Exceto o seu.

Igor Gonçalves

sábado, 23 de outubro de 2010

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Poético, diriam uns. Poético é o caralho, digo eu. Não tem metáfora aqui. Não gosto de metáforas, mais.

























* pequenos sonhos realizando-se. Obrigado a todos que nunca deixaram de acreditar em mim.

domingo, 17 de outubro de 2010

Sobre o medo

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Sobre o medo
Foi-me pedido um pouco de silêncio, a mim mesmo. As vozes ecoaram vorazmente ao meu coração e não pude controlar o desejo incontrolável de fugir. Não poderia fugir, não poderia desatinar, estava em apuros.
Em apuros, porque é perigoso. Perigoso por quê? É medo do que? Ande! Responda logo! Nem eu sei essa resposta, é uma sensação que foge do controle dominando todas minhas ações, deixando-me refém do medo.
É assim que funciona, achamos que podemos pular os obstáculos, pois já possuímos vasta experiência de vida, mas a vida sempre trás novidades e fica impossível de prever o que irá acontecer. Os tombos vão chegando cada vez mais fortes e o que eu tiro disso tudo é que eu aprendi demais, por errar demais.
Os minutos e as horas tornam-se devastadores, pois o medo desce como um elevador em alta velocidade, que rasga todas as epidermes do meu corpo e deixa essa vontade louca de fugir em estado de alerta. Eu preciso encontrar uma fuga, alguma sala onde a mobília não seja feita para o medo se acomodar... Uma sala pra mim.
      Lembro-me de cada situação que senti medo, lembro-me de todas. As mãos mexendo-se sem parar, o cabelo que não ficava quieto e a sensação de estar à beira de um precipício onde o medo aparecia bem atrás de mim, com as mãos em minhas costas.

Hoje possuo ancoras presas a minhas pernas. Elas fazem-me descer nesse profundo oceano que o medo reproduz. Consigo subir de volta e quando acho que tudo está sob meu controle, sou puxado ferozmente ao fundo do mar. Afogo-me no medo e depois sou encontrado em terras firmes lamentando a mais uma derrota. A cada derrota, eu aprendo mais e talvez o medo faça parte de todos os seres humanos. Pode até ser um professor maluco que lhe impõe as piores lições, mas saiba Medo, que você pode agir de um jeito inovador e astuto e deixar-me em condições precárias de pensamentos, porém, chegará uma hora em que eu passarei por tudo isso e poderei vencer-lhe. Apenas saiba disso, pois a cada derrota vem uma nova experiência e a cada experiência surgem em meu corpo mais forças para lutar. É esse o modo que diferencia-me dos outros, pois não quero criar uma guerra interna com você... Apenas quero mostrar-lhe que sou melhor.
Como é que você pretende lidar com isso? Conheço mil formas de se proceder; mais da metade delas parecem mais sensatas, ao meu ver. Nessa constante mudança de mares, tenho fugido para cada vez mais longe da fumaça dessas explosões.

Hoje, distante a ponto de te ver como um minúsculo ponto próximo à curva do horizonte, encontro-me às portas de uma nova vida, aquela vida que eu sempre procurei: viver procurando. A memória recente de uma longilínea silhueta ornada pelos iluminados prédios da metrópole, mesmo sendo fruto de um mero retrato imaginário e possivelmente efêmero, tem me guiado para longe da tua guerra. E para cada vez mais longe da terra firme. Aqui a água é fria, e a hipotermia me força a dar braçadas cada vez mais convictas, em sentido oposto ao dos teus passos.

Igor Gonçalves

sábado, 16 de outubro de 2010

Meu maior inimigo sou eu

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Sentado na realidade
Gritos mudos torturam minha mente
Meu estomago se revira desesperadamente
O medo cria raízes entrelaçadas a cada centímetro de meu corpo.

Quebra minhas pernas
Fico no chão
Imobilizado
Rezo para passar.

Desviar o foco é uma solução,
Mas está por toda a parte
Não há como fugir
O breu em meus olhos surge
Sem que eu possa me corrigir.

Medo
Palavra pequena
Mas de enorme impacto.

Me afeta porque eu deixo.
Há algo que me enfraquece
A confiança sobe progressivamente
Mas diante do medo, apenas desce.

Calma, só isso.

É acolhedora
Enigmática
Perfeita
Não há nada que possa detê-la...

E meu medo?
Tem ‘medo’ da calma.

Igor Gonçalves

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Então, me deixa falar...

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Poetas
O mundo deveria ser baseado em seus versos
Da loucura a perfeição
O mundo giraria em torno de sua imaginação.

Poetas mudos
Falantes por dentro
Sintonizam-se diariamente
Comem palavras como se fossem sementes.

Poetas falsos
Jogam a semente fora
Deixando de florescer em seu coração
A felicidade do saber outrora.

Poetas são assim
Fogem dos seus anseios
Não desistem dos seus desejos
Basta apenas prestar atenção aos seus lampejos.

Eles são um livro aberto
Basta saber interpretar
Se você que é pobre sentimentalmente
Não ouse nem falar!

Poetas odeiam ser racionais
Suas vidas são recheadas de histórias normais
Com pitadas de romance abaladas
Confeitados com desejos não realizados.

A folha que ele usa é curta
Apenas o viver é comprido
Diferente de tudo, um distante amigo...

Um amigo especial e complicado
Mas que se souberes levar
Terás uma vida longa e bem passada
Pois a vida é o que me faz formar palavras.

Ah, se os poetas fossem donos do mundo...


Igor Gonçalves

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Leaozinhaa !

#3






O vento vai te soprar

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Passei o ano inteiro vendo sua imagem, tudo em meu coração.
Está aí uma condição do qual não posso esquecer
Sentimentos mesclados com sua integridade
Sentimentos dos quais conheço, mas nunca vivenciei.

Indagando meu próprio futuro
Cá estou eu, sempre buscando mais palavras.
Desejando que a brisa que toca fosse minha.
Perseguindo uma feroz corrente que me leve até seu coração.

Olho para cima, depois para baixo.
Olho ao centro,
Em busca de um espaço, não encontro.

Ora! Assim ficarei na chuva que cai e atormenta esse mundo pequeno.

Eu tenho que continuar andando
Procurando uma maneira
E não vou desistir, é impensável!
Desistir é coisa de gente pequena,
Que se encontra em inabaláveis tempestades
E acha que seu céu é uma noite serena.

Não.

E talvez quando menos perceber
Quando essa ânsia enfim tornar-se astuta
Eu poderei contemplar
Toda essa beleza que meus olhos colocam
E minha mente insiste em viajar...
Sobre lugares desconhecidos
Que jamais pensei pisar.

A voz do poeta é muda,
Mas pra que vozes?
Estou falando do coração mesmo.

Igor Gonçalves




quarta-feira, 6 de outubro de 2010

#2

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A minha preocupação acorda com a cara na janela
De longe posso perceber que acabaste de chegar
E está tão perto de minha vida...
Passa por aqui e não vem ao menos me chamar.

Não quer nem saber
Não quer sentir
Não sabe o que quer
Fingi entender, mas ainda não é mulher.

Achar algo mais forte faria de mim algo melhor
Mas, estou preso bem aí... Você sabe.
Quando emudeço, é porque há uma multidão em mim
Quando paro de pensar, é porque devaneios atormentam-me constantemente...
Mas passar por aqui e nem me chamar,
Isso realmente não me deixou contente.

Hora de repensar.

Igor Gonçalves

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

#1

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Toda minha vida, eu tive vontade de encarar as coisas
Qualquer coisa que fosse maior do que eu
Qualquer coisa que me derrotasse
Eu apenas continuava firme até passar por isso.
Não isso
É demais
Eu não sou forte o suficiente.


O que eu vou fazer?

Eu confesso que essa é uma luta, do qual não vou ganhar.
E eu estou aqui, sentado olhando pro Céu...
Perguntando a mim mesmo
Repetidas vezes,
O que eu vou fazer?


terça-feira, 28 de setembro de 2010

Roteiro do meu filme

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Minha cabeça é uma sala de cinema
Onde posso ter todas as sensações
Que um dia pude sonhar.

Eu troco de filmes
A fim de procurar um lugar para ficar
Eu vou e venho a lugares e não encontro nada.

E aquele disco que você costumava ouvir?
É a trilha sonora do meu filme
Onde o protagonista é nosso romance.

Em todos os filmes ele está encrencado
E cercado de todas as dúvidas possíveis
Que as respostas parecem que sempre buscam uma parte dois.

Eu venho durante tanto tempo tentar entender
Que vejo você com clareza apenas em minhas palavras
E que sua presença me deixa exausto sentimentalmente...

É aí que eu choro.

Chorar é a reação que o romance faz
Suar é a reação que o corpo se dá após correr por tanto tempo
Então estou correndo tanto, mas tanto... Que o que faço é apenas chorar.

Não vá demorar
Não me deixe aqui sozinho
Estou te esperando, um novo filme vai começar.

Igor Gonçalves

domingo, 26 de setembro de 2010

Romance nas entrelinhas

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O romance encontra-se em turbulência, mas quem disse que ele seria para sempre uma linha reta? Encontrei curvas.
   Durante muito tempo eu não possuí conhecimento, embora que por muitas vezes já desconfiasse de que o romance estava realmente andando de forma correta e calma demais. Mal sabia o que me esperava. Meu romance, sim, aquele do qual meus olhos brilham só de falar está sendo colocado em xeque por mim mesmo e só em minha cabeça milhares de teorias e dúvidas sobrevoam meus neurônios a fim de especular mais dor.

Em minha vida, muitos hábitos e pessoas pereceram. Foram substituídos por novas maneiras e pessoas diferentes começaram a aparecer. Não era nada igual e agora, aqui estou eu, me pego pensando no quanto meus modos mudaram. Nesses pensamentos, eu tento imaginar se o que sou hoje é visto de maneira agradável a pessoas do qual eu convivo. Será que estou agindo errado? Ou tudo nisso não passa de mais um sermão da vida, dando-me duras lições para que um dia eu seja um homem exemplar, capaz de ensinar tudo o que aprendi a meu filho. Isto é, se eu tiver algum.

Eu desejo que o impacto da minha vida nas outras pessoas, seja calmo como o vento que suspira tranquilidade na praia. A vida é pra ser assim: Importante e eterna.
É fácil deixar tudo subentendido, nas entrelinhas talvez... Nessas malditas palavras que eu despejo aqui na tentativa de minimizar todas as dores que eu sinto. Eu sinto? Sim, é o romance batendo nas janelas do meu peito, pedindo perdidamente um lar para morar. Mas querido romance:

- Você saiu de mim, não é em meu peito que deve ficar. Vá para outro lugar, é naquele peito que meus olhos brilharam que é sua casa. Agora vá.

E meu romance, com lágrimas nos olhos, dirigiu-se a mais longa e tortuosa viagem que ele já percorrera.
Detalhes? Eu contarei nas entrelinhas.

Igor Gonçalves

sábado, 25 de setembro de 2010

Submerso

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Ás vezes as pessoas com que mais nos importamos, não são capazes de perceber a derradeira a verdade que há em nós. Não percebem o quanto elas são importantes e por vezes acabam tratando-lhe como se você fosse apenas mais um.
    Quanto mais importante à pessoa for, mais vai doer se ela fizer isso. Talvez elas não percebam que a qualquer momento podemos deixar de viver ou até então num surto de pensamentos acabar por deixar de gostar delas. É doloroso esse processo, mas quem consegue diferenciar quando está sendo amado e quando está sendo rejeitado, é obrigado a tomar esse tipo inclassificável de decisão.

Eu sei que cada pessoa tem o seu jeito e é inaceitável que tentemos mudar o dos outros. Isso de certa forma me assusta. Tem pessoa que é amável, tem pessoa que é reservada, tem pessoa que não se importa e há alguns outros que se escondem atrás de uma porta. Os que são amáveis sofrem por não encontrarem ou por muitas vezes amarem pessoas que não estão se importando com seus sentimentos e muitas vezes nesses encontros, eles pensam: ‘Eu trato ela com tanto carinho e recebo uma rajada de frieza em troca’
Os reservados são aqueles que têm medo de enfrentar o mundo e ficam presos em seus próprios devaneios tentando imaginar como seria se eles deixassem de pensar e vivessem um pouco mais. Agora os que não se importam, vivem demasiadamente e se divertem a todo custo. Embora em seu ímpeto mais profundo, sabem que sempre está faltando algo e não fazem o mínimo de esforço para melhorar. Esses são aqueles que podem ser felizes, porém, ficam sozinhos por ter uma visão de mundo perfeita e não aceitar enxergar o mundo como ele é. Por fim, os que se escondem atrás da porta são pessoas que foram amáveis e devido a incríveis surras levadas pela vida tornaram-se reservadas. Porém, com o tempo elas passam a não se importar e voltar a um ensaio de viver, entretanto no fim elas sentem uma vasta necessidade de vida, mas por medo de reviver todo esse processo acabam por apenas observar o mundo pelo buraco da fechadura da porta.

Eu possuo todos esses jeitos e nos últimos nove meses continuo a repeti-los de uma maneira em que talvez eu possa enganar-me e achar que estou bem. Talvez eu esteja tangendo de maneira errada, mas é como carregar um fardo que consome todas minhas forças deixando-me exausto, sem perceber que fingir um momento bom é pior quando as coisas caem sem pleno aviso sobre você.
     Mal percebo que tudo está fora do lugar e que essa falsa felicidade é apenas para as outras pessoas não me acharem um pobre coitado. Afinal, eu tenho tudo na mão. É o que os outros dizem, embora, não saibam que eu jogaria esse fútil tudo ao léu para apenas reter minha felicidade verdadeira de volta. Controlar os pensamentos é algo necessário, pois se não os domar, acabarei por fim deitado numa cama suntuosa marcada a ferro com o líquido de minhas lágrimas.
Nessa constante incógnita que é meu viver, eu arranjo mais de mil maneiras para resolver o problema, mas proceder sem saber é o mesmo que entrar no oceano sem saber nadar. Eu entro no oceano, a água é fria e tento nadar o mais rápido que posso, mas sempre acabo afogando-me em minhas próprias memórias passadas que foram-me impostas sem ao menos perguntar se eu concordava.

Eu não quero me afogar, eu não quero me afogar – Grito desesperadamente na noite sem estrelas que me cerca no meio de um oceano profundo que nem mesmo sei para onde é a direção de terra firme. Grito, grito até minha garganta começar a doer e ninguém me ouve pedindo por socorro, e é nesse momento em que não obtenho ajuda eu sinto-me um ser inútil que não é capaz de ao menos viver direito.

Isso é o preço que eu pago por escolher o caminho de sentir, mas em algum momento eu caí no precipício de minha horrível memória e bem, cá estou eu.
Eu deveria parar de agir assim, penso nisso todos os dias... Mas não paro. Alguém me para.

Igor Gonçalves

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Do Céu ao Inferno

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Ácido que corroeu meu peito
E não me deixou tranquilizar
Mesmo quando fingia e não sabia nada direito
Eu apenas parei e de longe comecei a chorar.

A cegueira repentina deixa-me congelado
Esqueço-me de todos os versos passados
Para dedicar-me a arte de odiar...

Logo passa.
É assim, todos os dias.

Igor Gonçalves

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Sensatez

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Durante toda a vida de um ser, apenas uma coisa é infinita. As palavras, sim, eu falo delas o tempo todo. Afinal? Mesmo calado, elas continuam a me torturar mentalmente e não acabam por aí, as palavras na verdade são ingredientes que numa mágica misteriosa acabam se tornando pensamentos e os pensamentos viram ações, as ações viram fatos, os fatos consequências, as consequências viram tristezas ou felicidades e esse sentimento volta a se tornar pensamento. Repetindo como uma máquina industrial, que visa apenas à produção e não se importa com a origem, que no caso seria eu.

As palavras são poderosas e infinitas. Não há como fugir delas. É como um gigantesco mar que agitado pelas frustrações e maus momentos fazem da vida uma extensa bagunça e nesse maremoto, as palavras acabam se bagunçando e é nesse exato momento em que no mar agitado, desponta das consequências um imenso navio com um letreiro enorme proferindo uma só palavra: Confusão

Isso traz raiva por tudo, a dificuldade em pensar acaba por deixar um ambiente onde eu sou um estrangeiro em meu próprio país pessoal. Dificuldades fazem as coisas parecerem que não fluem e que tudo não tem sentido, mas se eu fechar toda a porta de visitantes e me isolar achando que tudo ficará bem, eu apenas estarei retardando o sofrimento que um dia irá se enfurecer contra mim e acabará por me derrotar. Nesse dia não tenho certeza se conseguirei levantar, então para que tudo possa ficar bem eu apenas mantenho a calma e penso nas pessoas que se preocupam realmente comigo. Apesar de o mundo ser um palco eterno de lutas, ainda há pessoas que nos acompanham e nos ajudam nessa longa e infinita disputa onde não há ganhadores, embora haja conforto e tranquilidade por ter essas pessoas que fazem da vida algo gostoso e cômodo de ver.

O mundo é inteiramente formado de ignorantes e não me assusta mais a crueldade usada por essas pessoas, não há jeito. Eu não vou mudar eles, eu não quero e não sou nenhum tipo de santidade capaz de impor paz entre esses seres. Portanto, eu prefiro agir localmente e ficar em paz pessoalmente. Sei que é difícil, sei que é um caminho extenso, mas fazendo isso certamente passarei essa paz para alguém que amo, e esse alguém transmitirá essa paz para outra pessoa... Espero que um dia todas as pessoas do mundo estejam contagiadas por essa paz transmissora.

Igor Gonçalves




segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Fingir que sabe não é saber

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Meu amor está desatinando em meu coração
Fazendo perguntas que não sabe responder
É como um líquido, que no passado não passava de uma ideia.
E da mente fluiu para o peito
Sem ao menos reportar
A quem de fato fez tudo isso existir.

Olhei para tudo isso
E senti-me menosprezado.
Como sou pequeno perante a imensidão do Romance.
Sou uma minúscula gota d`água ao lado de um arranha-céu.

Tentei voltar à falsa a vida
Onde eu andava pelas avenidas
E vi chegar o Romance desmanchando
Todas minhas projeções de futuro
Indo como um Sol raiando
Caí desatinando...
Oh, como eu caio no meu mundo desatinando...

O jogo está acabado
O tempo em que corri em círculos
Não passa nem perto do modo como estou encantado
Ao ver sua imagem explorar todos os cantos da minha mente
Conduzindo-me a tempos em que o romance fala mais alto.

Pretendo descobrir uma forma de me desvencilhar
Dessa menina distraída que a tanto vem formigar
Todas as palavras que um dia pretendo escrever
Nas flores mais sinceras que virão a florescer.

Não diga nada destino,
Deixe-me sofrer sem saber de tudo
Eu prometo viver sem medo de perecer
E se reclamar, lhe peço: Deixe-me mudo!

Portanto o céu do Romance
Está enovelado a fitas de cetim
Cores fortes desejam o carmim
O romance que cultivo é seu até meu final fim.

Olho-me refletido ao espelho
Deixando cair lágrimas pelo rosto...
Eu gosto de chorar
Ver meus olhos verdes fortes se calar
De forma para saber levar
Que se a lágrima cai
É porque me importo
E na casa dos tolos apaixonados
Eu finjo que sei como sair
Finjo que sei, finjo que sei...



Igor Gonçalves


Minha inspiração

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Terras Desabitadas

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Embora a tempestade tenha passado,
Continuo a andar por terras desabitadas.
Olho para o céu e enxergo perfeitamente
O brilho extremo que alavancara minha vida a índices de calmaria quase épicos.

Está lá ainda
Posso ouvir de longe o som da música que me acalma
Está um pouco longe,
Talvez como a distância em que o Sol está de nós, não sei descrever.
É algo que de tão grande é possível enxergar a longas distâncias
E é isso que me deixa estável.

Morro de medo só de pensar
E se em minha terra desabitada
Voltar a grandes quantidades de água desabar?
E se o brilho extremo em meu céu começar a sucumbir,
Talvez explodir e em algum momento vir a me cegar
Com sua luz forte
Que aumentará como uma estrela,
A fim de se despedaçar...

Não, isso não vai acontecer.
Um céu como esse, não pode desaparecer...
Mas meu único receio
É que este céu venha a um dia escurecer
E seu meu brilho extremo e pessoal vir a abandonar-me
Só Deus saberá o que farei sem sua existência.

Igor Gonçalves

sábado, 11 de setembro de 2010

Uma taça e um brinde para as estrelas

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Olhei ao céu negrejante uma estrela solitária pensante
Invejei o fato de a estrela possuir luz própria
Enquanto eu forçava a vista e me encontrava em plena escuridão.
Ah, queria eu ser tão luminoso feito este ser.

Veio então à manhã, que desolava o céu em nuvens frescas;
A manhã chegou, embora não trouxesse o dia.
A luz que o Sol projetava aos meus olhos era apenas ilusória
Pois a verdadeira luz externa extinguira-se de mim.

Em minha face encontra-se o rubor causado pela vida
Pois nas estâncias mais longínquas de meu espírito
São causadas diferentes sensações inconstantes
Tanto de vidas presentes, tanto de vida distantes.

O céu luminoso das estrelas poderia afastar todo esse temor
O dia com sua luminosidade e paz presente
Contracenando com seu interior
Noite negra infestada da escuridão contingente.

Exilado de minha própria mente
Em zonas distantes e mais distantes
Andando por lugares desconhecidos e amaldiçoados
Fujo sem saber que o pior já me foi passado.

Queria eu juntar um exército
Fulminar essa minha muralha pessoal
Criada com fogo durante um tempo tempestuoso...
Feita de raiva e puro ódio, só deve ser destruída com afeto e puro amor.

Igor Gonçalves

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Romance

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É tão poderoso,
Que as cirscuntancias me impelem de jogar tudo fora.
Eu tenho meus anseios
Meus tristes receios
Embora acabe contrariando-me e deixando fluir pelo ar.

Contrariar a si mesmo é um ato ousado
Quem eu penso que sou!
No milionésimo segundo de fuga que encontro
Acabo perdendo o tempo
E volto ao lar da realidade.

Fugir é ser covarde
Deixar de ser o parágrafo final em sua narrativa
Escrita em mínimos detalhes
É parafrasear a vida
Que por pouco não passou de maus olhares.

E aquela música que o coração toca?
Parece ser infinita aos meus ouvidos.
Vai ao superlativo extenso do final
Criando separações de canções
Que compõe um álbum inteiro de melodias...

Talvez essa minha face sisuda encontra-se em procuras
De talvez um sorriso que rasgue todas as barreiras.
Ou até então tirar os pés dos chãos
E acreditar que posso voar em belos ares
Passar pelas mais longas cachoeiras
Acreditando apenas em meu romance.

Mas o caminho é longo e tenso
E ás vezes nós insistimos em ficar debaixo dessa cobertura
Que nos cerca impedindo-nos de enxergar o céu azul
Que apenas o romance pode preceder.

E então naquela mais nova e sincera música
Aquela que está tocando hoje
No meu rádio coração meio defeituoso quebrado...
Diz que o amor é maior
Do que minhas convicções.

Igor Gonçalves