segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Esforço que cai no vazio


Eu entreguei cuidado
não como moeda,

mas como gesto.


Não contei recibos,

não somei valores,

não esperei aplauso.


Só esperei que isso

não fosse invisível.


Mas há um cansaço específico

que não vem do fazer demais,

vem de fazer

e não encontrar ninguém do outro lado.


É o esforço que cai no vazio.

O gesto que não encontra pouso.

A mão estendida

que não é recusada

apenas ignorada.


Eu cuidei

e recebi invalidação.


Não um “não”,

mas um silêncio que pesa mais.

Não uma briga,

mas a sensação de que nada do que faço

se fixa no mundo.


O corpo aprende antes da cabeça.

Aprende que descansar é perigoso.

Que falar vira armadilha.

Que amar exige cuidado excessivo

para não provocar tempestades.


E mesmo assim,

eu continuei fazendo o certo.

Não porque alguém pediu,

mas porque é quem eu sou.


Só que chega um ponto

em que o amor sem eco

vira desgaste.

E a entrega sem acolhimento

vira dor limpa,

sem escândalo,

sem plateia.


Não fiz esperando algo em troca.

Mas receber descaso

depois de tanto cuidado

fere de um jeito

que não sangra 

corrói.


E talvez o mais difícil

não seja a falta de retorno,

mas perceber

que estou aprendendo

a me proteger

do próprio amor.



Igor Gonçalves 

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Viver é muito mais do que encontrar conceitos, belas frases. E nesse pequeno discurso cheio de erros de concordância e rimas toscas, tento dizer que o essencial não é visível aos seus olhos