mas como gesto.
Não contei recibos,
não somei valores,
não esperei aplauso.
Só esperei que isso
não fosse invisível.
Mas há um cansaço específico
que não vem do fazer demais,
vem de fazer
e não encontrar ninguém do outro lado.
É o esforço que cai no vazio.
O gesto que não encontra pouso.
A mão estendida
que não é recusada
apenas ignorada.
Eu cuidei
e recebi invalidação.
Não um “não”,
mas um silêncio que pesa mais.
Não uma briga,
mas a sensação de que nada do que faço
se fixa no mundo.
O corpo aprende antes da cabeça.
Aprende que descansar é perigoso.
Que falar vira armadilha.
Que amar exige cuidado excessivo
para não provocar tempestades.
E mesmo assim,
eu continuei fazendo o certo.
Não porque alguém pediu,
mas porque é quem eu sou.
Só que chega um ponto
em que o amor sem eco
vira desgaste.
E a entrega sem acolhimento
vira dor limpa,
sem escândalo,
sem plateia.
Não fiz esperando algo em troca.
Mas receber descaso
depois de tanto cuidado
fere de um jeito
que não sangra
corrói.
E talvez o mais difícil
não seja a falta de retorno,
mas perceber
que estou aprendendo
a me proteger
do próprio amor.
Igor Gonçalves
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Viver é muito mais do que encontrar conceitos, belas frases. E nesse pequeno discurso cheio de erros de concordância e rimas toscas, tento dizer que o essencial não é visível aos seus olhos